Estatal anuncia dividendos bilionários em meio à alta do petróleo, mas admite que a autossuficiência em diesel ainda não foi alcançada
A Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,663 bilhões, um resultado 109,9% maior do que o trimestre anterior, impulsionado pela alta dos preços do petróleo em meio às tensões no Oriente Médioa petroleira reportou lucro líquido de R$ 32,663 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Na comparação trimestral, o resultado teve alta de 109,9%. Junto ao balanço, a estatal anunciou R$ 9,03 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, reforçando o apetite dos investidores pelas ações da companhia. Ao mesmo tempo, porém, a presidente da Petrobras revelou que a empresa precisará retomar a importação de diesel já em julho, depois de três meses conseguindo suprir a demanda interna apenas com produção nacional. O contraste entre o lucro recorde e a dependência externa de combustível resume bem o momento atual do setor de petróleo no Brasil. Seu Dinheiro
Lucro recorde impulsionado pela alta do petróleo
O resultado do primeiro trimestre superou as expectativas do mercado. O consenso da Bloomberg apontava para um lucro líquido de R$ 30,684 bilhões, abaixo do valor efetivamente divulgado pela companhia, o que mostra que a Petrobras conseguiu capturar de forma ainda mais eficiente a alta dos preços internacionais do petróleo. Segundo o balanço, o preço médio do Brent no período ficou em US$ 80,61 por barril, patamar bem acima da média histórica recente e diretamente ligado à intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio observada no fim de fevereiro. Apesar da forte alta trimestral, o resultado ainda ficou 7,2% abaixo do mesmo período do ano anterior, o que indica que a comparação de um ano para o outro carrega efeitos específicos de cada momento do mercado.
Os dividendos anunciados também chamaram atenção. A companhia definiu o pagamento de R$ 0,70097272 por ação, dividido em duas parcelas, sendo a primeira em agosto e a segunda em setembro de 2026Os proventos serão pagos em duas parcelas nos meses de agosto e setembro de 2026, no valor de R$ 0,70097272 por ação ordinária e preferencial em circulação. A data de corte para quem detém ações negociadas na B3 foi fixada em 1º de julho, e a partir do dia seguinte os papéis passaram a ser negociados na condição ex-direitos. Vale destacar que esses valores serão descontados da remuneração total aos acionistas que será aprovada na assembleia geral de 2027, já reajustados pela Selic, uma prática comum para antecipações de dividendos ao longo do exercício social. Seu Dinheiro
Por que a Petrobras vai importar diesel de novo
Mesmo em meio a resultados financeiros positivos, a Petrobras confirmou que vai precisar voltar a trazer diesel do exterior a partir de julho. A informação foi dada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante um evento de retomada das obras da fábrica de fertilizantes UFN-III, em Três Lagoas, no Mato Grosso do SulA Petrobras (PETR4) precisará voltar a importar diesel em julho após passar três meses sem trazer o combustível do exterior. Segundo ela, a companhia conseguiu operar sem importações durante abril, maio e junho, período em que os preços do petróleo e dos combustíveis já vinham sendo pressionados pelo conflito no Oriente Médio, mas a demanda interna voltou a superar a capacidade de produção nacional. Seu Dinheiro
Chambriard afirmou que a companhia está estudando formas de reduzir essa dependência ao longo dos próximos anos, com o objetivo de se tornar autossuficiente em dieselJá estamos estudando como vamos fazer nesse quinquênio, para sermos autossuficientes em diesel. Atualmente, quatro unidades da Petrobras, localizadas na Bahia, em Sergipe, no Paraná e a que está sendo retomada no Mato Grosso do Sul, respondem por cerca de 35% do consumo nacional de fertilizantes nitrogenados, e a meta da estatal é dobrar essa participação nos próximos anos. A executiva destacou ainda que os investimentos da companhia somaram R$ 26,8 bilhões apenas no primeiro trimestre, um crescimento de 25,6% em relação ao mesmo período do ano passado, o que ajuda a explicar a aceleração dos projetos que estavam parados havia anos. Seu Dinheiro
Investimentos e o plano de expansão da produção
Um dos destaques citados pela presidente da Petrobras foi o desempenho da Refinaria do Nordeste, a Rnest, localizada em Pernambuco, apontada como peça central nos planos de ampliar a produção nacional de combustíveis. Segundo Chambriard, o aumento do volume de investimentos tem contribuído diretamente para aproximar a companhia da marca de três milhões de barris de petróleo produzidos por dia, um patamar historicamente ambicioso para a estatal. Ao mesmo tempo, a executiva reforçou que a aceleração dos investimentos está sendo feita com disciplina de capital, evitando repetir erros do passado que geraram custos elevados em projetos suspensos por anos.
A própria retomada da UFN-III é um exemplo desse cuidado. Iniciada em 2008, a obra foi suspensa em 2015, quando já estava 81% concluída, e agora volta a ser tocada após uma revisão completa dos processos de contratação. Segundo a companhia, mudanças no processo de licitação de fornecedores permitiram reduzir em R$ 629 milhões os custos para a retomada da fábrica, que terá capacidade de produzir 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, insumos usados na fabricação de fertilizantes para o agronegócio. Esse tipo de projeto mostra como a Petrobras vem tentando equilibrar a expansão de sua produção com um controle mais rígido de custos, especialmente em obras que ficaram paradas por muito tempo.
O momento da Petrobras resume bem os desafios de operar em um setor tão sensível a fatores externos. De um lado, a companhia colhe os benefícios financeiros de um cenário internacional de preços elevados, com lucro e dividendos recordes. De outro, segue enfrentando gargalos estruturais, como a dependência de importação de diesel, que só devem ser resolvidos com investimentos de longo prazo. Para quem acompanha o setor de petróleo no Brasil, os próximos meses serão decisivos para saber se a aceleração anunciada pela presidente da estatal realmente se traduz em maior autossuficiência energética para o país.
Fontes: Seu Dinheiro | Seu Dinheiro