Elmar Juan Passos Varjão Bomfim destaca que mover um contêiner do interior do Mato Grosso até o porto de Santos ainda custa, em muitos casos, mais do que levá-lo de Santos até a China. Essa distorção resume um problema antigo: um país de dimensões continentais que segue dependendo do modal rodoviário para escoar quase tudo o que produz, com a logística consumindo perto de um quinto do Produto Interno Bruto.
Durante muito tempo, esse gargalo foi tratado como um destino inevitável, fruto da geografia e da herança de décadas de subinvestimento. O que mudou recentemente é a percepção de que parte relevante dessa ineficiência pode ser atacada com tecnologia, não com mais asfalto. Sensores, dados e automação passaram a fazer mais por uma operação do que a simples ampliação física da malha.
O momento favorece essa virada. Com o Novo PAC mobilizando centenas de bilhões de reais em transporte, energia e obras urbanas, e o setor privado respondendo por boa parte desse investimento, o canteiro brasileiro vive uma rara janela em que capital, demanda e ferramentas digitais convergem. Continue a leitura e veja que a pergunta deixou de ser se a tecnologia vai remodelar a infraestrutura do país e passou a ser quem conseguirá aplicá-la com mais rapidez e critério.
Da estrada ao dado: o que muda quando a operação passa a enxergar em tempo real?
Para Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a transformação mais profunda dos últimos anos não veio de novas máquinas, e sim de visibilidade. Sensores conectados à internet das coisas converteram caminhões, contêineres e galpões em fontes contínuas de informação. Decisões que antes dependiam de planilhas fechadas no fim do expediente passaram a ser tomadas no instante em que o problema surge, antes que ele contamine o restante da cadeia.
Esse salto reorganiza toda a operação. Torres de controle digitais cruzam dados de tráfego, clima e estoque para redesenhar trajetos e antecipar atrasos. Algoritmos de aprendizado de máquina projetam picos de demanda e ajustam a frota, reduzindo viagens vazias e tempo ocioso. A diferença entre reagir ao imprevisto e antecipá-lo é exatamente onde mora a margem de quem opera no setor.
Por que os centros de distribuição viraram o novo campo de disputa?
O crescimento do comércio eletrônico redesenhou o mapa logístico do país. A promessa de entrega no mesmo dia obrigou empresas a descentralizar estoques e a erguer galpões cada vez mais próximos dos grandes centros de consumo, e cada vez mais automatizados. Robôs móveis autônomos e veículos guiados sem condutor circulam por esses espaços, separando pedidos a uma velocidade impensável há poucos anos.

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim constata que esse movimento converte o galpão, antes um simples depósito, em peça estratégica de infraestrutura. Construí-lo exige projetos que já nascem preparados para automação, geração de energia limpa e expansão futura. É uma demanda que recoloca a engenharia no centro da equação logística, porque o desempenho do robô lá dentro depende, antes de tudo, da qualidade da estrutura que o abriga.
O elo humano e regulatório que a máquina não substitui
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim elucida que nenhuma dessas ferramentas opera no vácuo. A escassez de profissionais capazes de manejar dados, programar automações e interpretar modelos digitais é hoje um dos maiores limitadores do setor. Investir em tecnologia sem investir em pessoas costuma resultar em sistemas caros e subutilizados, que prometem eficiência e entregam frustração.
Há ainda o desafio do financiamento e da integração entre modais. De pouco adianta um centro de distribuição inteligente se a estrada que o liga ao porto continua congestionada, ou se uma licença trava por anos na burocracia. A transformação real depende de coordenar tecnologia, capital e políticas públicas no mesmo ritmo, algo que o atual ciclo de concessões e parcerias com o setor privado começa a destravar, ainda que de forma desigual entre as regiões do país.
O Brasil que se constrói para a próxima década
A infraestrutura brasileira atravessa um ponto de inflexão. Pela primeira vez em muito tempo, o volume de investimento, a pressão do mercado e a maturidade das ferramentas digitais apontam na mesma direção.
O país que por décadas tratou a tecnologia como luxo passa a encará-la como condição básica para competir, e a janela aberta agora dificilmente se repetirá com a mesma intensidade nos próximos anos.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim resume que o desfecho dependerá menos da disponibilidade de soluções e mais da capacidade de aplicá-las com método, em projetos que conversem entre si em vez de se acumularem isolados.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez