Parceria com startup e projetos desenvolvidos na UFRJ apostam em IA para prever falhas, reduzir riscos e acelerar decisões em poços de até 3 mil metros de profundidade.
Há uma revolução silenciosa acontecendo nas plataformas de petróleo brasileiras. Longe dos holofotes das cotações do barril e das disputas regulatórias, engenheiros e pesquisadores estão aplicando inteligência artificial para transformar a forma como o Brasil opera seus campos offshore. O resultado deve ser uma exploração mais segura, mais rápida e potencialmente mais rentável, em um momento em que a Petrobras se prepara para entregar dezenas de novos poços no pré-sal até o fim da década.
A Petrobras, em parceria com a startup Wiise, deu início a um projeto estratégico para o desenvolvimento de um software inovador baseado em inteligência artificial que promete transformar as análises de risco em poços offshore. Atualmente, a Petrobras é a maior operadora de poços offshore no Brasil, com uma frota em constante crescimento em áreas de alta complexidade como o pré-sal e a Bacia de Campos, e o Plano Estratégico da companhia prevê a perfuração de aproximadamente 100 novos poços marítimos até 2030. SINDPD
Como a IA atua na gestão de integridade dos poços
A aplicação de inteligência artificial na análise de risco offshore não é apenas uma questão de modernização tecnológica. Ela responde a uma necessidade concreta de escala: com dezenas de plataformas operando simultaneamente em águas profundas e ultraprofundas, a quantidade de dados gerados por instrumentos e sensores cresceu a um ponto em que a análise manual tradicional se torna insuficiente. De acordo com João Victor, engenheiro da Wiise, com a aplicação de novas tecnologias de IA, tarefas rotineiras serão automatizadas, permitindo que engenheiros especialistas concentrem seus esforços em questões estratégicas, promovendo mais eficiência e agilidade nos processos. SINDPD
O impacto prático vai além do ganho de tempo. Plataformas offshore operam em ambientes de altíssima pressão e temperatura, onde uma falha não detectada pode resultar em desastres ambientais e perdas humanas. O software em desenvolvimento busca antecipar esses cenários com modelagem preditiva baseada em histórico de dados operacionais, identificando padrões de deterioração que seriam invisíveis à inspeção convencional.
Pesquisa acadêmica e inovação aplicada ao setor
A iniciativa da Petrobras com a Wiise não está isolada. Pesquisadores da Embrapii-Coppe/UFRJ também apresentaram projetos voltados ao mesmo desafio no Energy Summit 2026, realizado na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Três novos projetos desenvolvidos pela Unidade Embrapii-Coppe/UFRJ foram apresentados no evento, com tecnologias capazes de proporcionar a produção mais rápida de equipamentos em alto mar, melhorar a segurança em plataformas de petróleo e prevenir desastres ambientais causados por vazamentos de óleo nos oceanos, além de diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros. Petronoticias
Um dos projetos desenvolvido em parceria com a Petrobras quer usar inteligência artificial para tornar mais rápida e precisa a análise de como uma plataforma vai se comportar diante de ondas, ventos e correntes marítimas — análise necessária antes de construir e colocar em operação uma plataforma de petróleo em alto-mar. Trata-se de uma aplicação com alto potencial de redução de custos, já que os testes físicos tradicionais em modelos reduzidos são lentos e caros. Petronoticias
A Petrobras também assinou, em maio de 2026, contratos com a SBM Offshore para a construção de dois FPSOs para o projeto Sergipe Deepwater, com investimentos superiores a R$ 60 bilhões, com expectativa de produção total de mais de 1 bilhão de barris de petróleo equivalente. É nesse contexto de expansão acelerada que a inteligência artificial se consolida como ferramenta estratégica, não apenas para segurança, mas para a viabilidade econômica de uma operação de escala cada vez maior. A pergunta que o setor começa a fazer não é mais se a IA chegará ao offshore, mas com que velocidade ela vai mudar a forma de operar o pré-sal brasileiro. sec
Fontes: sindpd.org.br | petronoticias.com.br | sec.gov (Petrobras 6-K) | petrobras.com.br
Autor: Diego Rodríguez Velázquez