A Shell Brasil assinou, em 2 de setembro de 2026, um acordo para adquirir da bp uma participação de 50% no bloco exploratório Tupinambá, localizado no pré-sal da Bacia de Santos. A operação amplia a presença da Shell em uma área estratégica do litoral brasileiro, mas ainda não representa uma descoberta de petróleo nem o início de uma fase de produção.
De acordo com a Shell Brasil, a conclusão da transação depende de aprovações regulatórias e do cumprimento de outras condições precedentes. Após o fechamento do negócio, a bp continuará como operadora do bloco, enquanto a Shell passará a integrar a parceria com uma participação equivalente à metade do ativo.
Bloco está em área de águas profundas
O bloco Tupinambá fica a aproximadamente 400 quilômetros da costa, em uma região com lâmina d’água de cerca de 2.300 metros. A localização coloca o ativo no ambiente de águas profundas e ultraprofundas que caracteriza parte relevante das atividades de exploração no pré-sal da Bacia de Santos.
A entrada da Shell como sócia ocorre em uma etapa ainda exploratória. Isso significa que o acordo está relacionado à posição das empresas em uma área contratada para investigação do potencial geológico, e não à confirmação de reservas comerciais. Eventuais avanços dependerão dos resultados dos estudos e das atividades previstas no contrato.
O negócio também reforça a presença de duas grandes companhias internacionais em uma das principais fronteiras do setor de óleo e gás no Brasil. Para a Shell, a operação representa uma nova participação em um ativo offshore de localização estratégica. Para a bp, a permanência como operadora mantém sob sua responsabilidade a condução das atividades do bloco, caso sejam cumpridas as etapas necessárias para a conclusão da transferência.
Próximas etapas dependem de aval regulatório
A transferência de participação em um bloco de exploração e produção não se encerra com a assinatura do acordo entre as empresas. O negócio precisa passar pelas aprovações aplicáveis e atender às condições previstas pelas partes. Até a conclusão dessas etapas, a composição definitiva da parceria ainda não está consolidada.
Os contratos de exploração e produção acompanhados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabelecem obrigações para as empresas contratadas. Entre as atividades possíveis nessa fase estão estudos geológicos, aquisição e interpretação de dados sísmicos e, conforme o programa exploratório, a perfuração de poços.
Essas atividades servem para avaliar as características do subsolo e verificar a existência de acumulações de hidrocarbonetos com potencial econômico. Portanto, a assinatura do acordo envolvendo o Tupinambá não permite concluir que o bloco já tenha petróleo descoberto, reservas certificadas ou produção programada.
Histórico na Oferta Permanente
O bloco Tupinambá foi arrematado pela bp no âmbito da Oferta Permanente, modelo utilizado pela ANP para disponibilizar áreas destinadas à exploração e à produção de petróleo e gás natural. A modalidade permite a apresentação de ofertas conforme as regras definidas pela agência e integra a política de contratação de áreas do setor no país.
Registros da Comissão Especial de Licitação da ANP relacionados ao bloco mencionam a BP Energy do Brasil como operadora e registram a habilitação da Shell Brasil no processo. A movimentação anunciada agora formaliza a intenção de estabelecer a nova composição societária, condicionada às aprovações exigidas.
A Oferta Permanente da ANP é uma das ferramentas pelas quais empresas podem acessar áreas exploratórias no Brasil. Em regiões offshore, a avaliação dos ativos envolve desafios técnicos e investimentos elevados, especialmente em locais distantes da costa e com grande profundidade de água.
O que o acordo representa
O acordo entre Shell e bp mostra uma reorganização de posições em um bloco ainda não desenvolvido. A parceria pode reunir a experiência das duas empresas em operações offshore, mas os efeitos práticos dependerão da aprovação da transação, do cumprimento do programa exploratório e dos resultados obtidos durante a avaliação da área.
Por enquanto, a informação confirmada é a assinatura do negócio para a aquisição de 50% do bloco Tupinambá. Não há, nas informações divulgadas pelas fontes consultadas, anúncio de descoberta, estimativa de reservas ou previsão de produção comercial. A evolução do ativo dependerá das próximas decisões regulatórias e das atividades de exploração previstas para a área.