O Brasil deverá ampliar sua posição como exportador de petróleo na próxima década, mas continuará dependendo da importação de derivados de petróleo para atender parte da demanda interna. A projeção faz parte do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 e foi apresentada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia.
De acordo com o estudo, as exportações brasileiras de petróleo podem superar 3 milhões de barris por dia em parte do período analisado. O avanço será acompanhado por investimentos no parque nacional de refino, mas a oferta doméstica projetada ainda não será suficiente para eliminar a necessidade de compras externas de produtos como óleo diesel, nafta e querosene de aviação, conhecido como QAV.
Produção de petróleo não significa autossuficiência em combustíveis
A diferença entre exportar petróleo cru e atender integralmente ao consumo de derivados está no centro do cenário traçado pela EPE. O petróleo produzido no país precisa ser processado em refinarias para se transformar em combustíveis e matérias-primas utilizadas por diferentes setores da economia. Quando a capacidade de processamento ou o perfil das unidades não acompanha a demanda, o mercado recorre a produtos importados.
Assim, o crescimento da produção nacional não elimina automaticamente a dependência externa. Mesmo com maior disponibilidade de petróleo, o Brasil poderá continuar importando derivados para complementar o abastecimento, especialmente em segmentos nos quais a demanda projetada seguirá pressionando a oferta doméstica. O cenário também reforça a importância da logística de transporte, armazenamento e distribuição.
Capacidade de refino deve crescer 7% até 2034
A EPE estima que a capacidade brasileira de refino aumentará 7% entre 2024 e 2034. Entre os projetos considerados no planejamento estão a ampliação do primeiro trem e a conclusão do segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), localizada em Ipojuca, em Pernambuco, além do Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, no estado do Rio de Janeiro.
Esses empreendimentos são avaliados como parte da expansão da infraestrutura de processamento de petróleo no país. A expectativa é que novos projetos contribuam para reduzir a necessidade de importações em alguns produtos, embora não sejam suficientes, segundo as projeções, para encerrar a dependência externa durante todo o período do plano.
Em outra publicação sobre sua participação na ROG.e 2026, a EPE informou que os investimentos previstos no refino podem reduzir a dependência externa de diesel A, QAV e nafta até 2035, em comparação com um cenário sem expansão. A indicação mostra que a ampliação da capacidade pode produzir efeitos relevantes, ainda que o abastecimento continue contando com fornecedores internacionais.
Diesel, nafta e QAV permanecem no foco
O diesel aparece entre os principais produtos associados à necessidade de importação. O combustível é utilizado no transporte de cargas e em atividades econômicas que dependem de veículos pesados, o que torna seu abastecimento uma questão estratégica para o país. A nafta, por sua vez, é uma matéria-prima relacionada à indústria petroquímica, enquanto o QAV atende ao transporte aéreo.
A permanência das importações nesses segmentos significa que o equilíbrio do mercado dependerá não apenas do volume de petróleo produzido, mas também da evolução da demanda, da entrada efetiva dos projetos de refino e da capacidade de movimentar os produtos entre as regiões brasileiras. Investimentos em terminais, dutos, armazenamento e transporte poderão ser necessários para acompanhar essa dinâmica.
Planejamento deve orientar investimentos e abastecimento
O contraste entre exportações crescentes de petróleo e importações persistentes de derivados apresenta um dos principais desafios do planejamento energético brasileiro. A posição exportadora fortalece a participação do país no mercado internacional de petróleo, enquanto a necessidade de comprar combustíveis e matérias-primas no exterior mantém o abastecimento exposto às condições de oferta, preços e logística internacionais.
O estudo foi divulgado pela EPE em 24 de setembro de 2026, no contexto da publicação do caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo do PDE 2034. As projeções servem como referência para avaliar investimentos no refino e na infraestrutura de combustíveis, além de apoiar decisões de empresas e órgãos públicos envolvidos na segurança do abastecimento nacional.
Na programação técnica da ROG.e 2026, a Empresa de Pesquisa Energética também incluiu discussões relacionadas aos desafios do setor de energia. Para o Brasil, o ponto central da próxima década será transformar parte do aumento da produção de petróleo em maior oferta doméstica de derivados, sem perder de vista a necessidade de ampliar a infraestrutura que conecta refinarias, centros consumidores e pontos de importação.