A internet é frequentemente vista como um assunto voltado para os jovens, algo distante da rotina de quem já passou dos sessenta anos e construiu hábitos ao longo de décadas sem depender de telas. No entanto, o pós-graduado em geriatria, Doutor Yuri Silva Portela observa que essa suposição não se sustenta diante dos números recentes: o uso da internet entre pessoas de 60 anos ou mais cresce em ritmo acelerado no Brasil, especialmente entre aqueles que antes eram considerados resistentes à tecnologia. A inclusão digital de idosos deixou de ser uma exceção e se tornou uma tendência consolidada.
Esse crescimento não se limita a acessar redes sociais para ver fotos de netos. Envolve marcar consultas pelo aplicativo do plano de saúde, receber resultados de exames por mensagem e conversar por vídeo com filhos que moram longe. Cada uma dessas tarefas, sozinha, pode parecer pequena, mas, somadas, elas transformam a independência de alguém no dia a dia, reduzindo a dependência de terceiros para resolver o que antes exigia ajuda constante. Sendo assim, é essencial que iniciativas de inclusão digital sejam promovidas, visando capacitar os idosos e oferecer-lhes um verdadeiro empoderamento.
A resistência à tecnologia entre idosos é uma questão de metodologia, não de idade
A ideia de que os idosos evitam a tecnologia por opção desconsidera um fator mais simples: muitos nunca tiveram a oportunidade de aprender no ritmo adequado. Aulas rápidas, repletas de termos técnicos, afastam qualquer pessoa, independentemente da idade, e reforçam a crença de que a tecnologia não é para ela, fazendo com que muitas pessoas desistam de aprender e se tornem inativas em relação ao mundo digital. Essa barreira é frequentemente mais uma questão de metodologia de ensino do que de disposição para aprender.
Quando o aprendizado respeita o tempo de cada um, com repetição e paciência, a aparente barreira geracional se revela, na maioria das vezes, uma barreira de método. Nesse sentido, Yuri Silva Portela expressa que a resistência não está na pessoa, mas na forma como a tecnologia costuma ser apresentada, quase sempre presumindo uma familiaridade com a qual muitos idosos não tiveram oportunidade de se familiarizar em qualquer etapa da vida.
Comunicação por vídeo estreita laços familiares e reduz a solidão dos idosos
Marcar uma consulta sem depender de ligações ou de outra pessoa para fazê-lo devolve o controle sobre a própria agenda. Conversar por vídeo com um neto que mora em outra cidade diminui a distância que, de outra forma, só seria reduzida em visitas raras, geralmente concentradas em datas comemorativas ao longo do ano.

Essas pequenas mudanças se acumulam em algo maior: menos dependência de terceiros para tarefas cotidianas. Cada aplicativo dominado é uma solicitação a menos feita a um filho ou vizinho, e uma decisão a mais que a pessoa consegue tomar sozinha, no próprio ritmo, sem precisar esperar pela disponibilidade de outra pessoa para resolver algo simples.
Além disso, o acesso à internet proporciona oportunidades de socialização e aprendizado contínuo, aponta o pós-graduado em geriatria Yuri Silva Portela. Os idosos podem participar de grupos online, acessar cursos e até mesmo se informar sobre temas do seu interesse. A inclusão digital, portanto, não é apenas uma questão de acesso à tecnologia, mas uma forma de enriquecer a vida social e intelectual dos idosos.
Habilidades digitais: o novo caminho para a autonomia na terceira idade
A autonomia na terceira idade é frequentemente discutida em termos de mobilidade física ou capacidade de decisão. No entanto, raramente essa conversa inclui a habilidade de resolver, de forma autônoma, tarefas que hoje existem apenas em formato digital, como renovar uma receita ou consultar um resultado de exame sem intermediários.
Ensinar alguém a usar a internet não é apenas uma questão de inclusão social; trata-se de devolver, de forma concreta, parte do controle que muitas rotinas modernas retiraram de quem não domina uma tela. Reconhecer que essa habilidade, hoje, pesa tanto quanto qualquer outra na hora de avaliar independência é fundamental. Doutor Yuri Silva Portela enfatiza que, ao promover a inclusão digital, estamos contribuindo para o empoderamento dos idosos, garantindo que eles possam navegar no mundo moderno com confiança e autonomia.
A inclusão digital não apenas melhora a qualidade de vida dos idosos, mas também é um passo vital para garantir que eles se sintam parte ativa da sociedade. Portanto, devemos continuar a promover iniciativas que assegurem que todos tenham acesso a essas habilidades essenciais.