O recente acordo envolvendo a redistribuição dos royalties do petróleo no estado do Rio de Janeiro reabre debates sobre justiça fiscal, equilíbrio federativo e responsabilidades sociais. Municípios como São Gonçalo, Magé e Guapimirim devem receber parte dos recursos antes concentrados em poucas regiões produtoras, o que traz a possibilidade de novos investimentos públicos em infraestrutura, educação e serviços básicos. Esse movimento de redistribuição representa não apenas uma reorganização financeira, mas uma chance concreta de redefinir prioridades locais, abrindo margem para modernização e inclusão tecnológica nessas áreas.
Com maior receita, essas cidades têm a oportunidade de investir em tecnologia e inovação. Isso pode significar implementação de sistemas de saneamento e abastecimento inteligentes, modernização de redes de transporte, adoção de energia mais limpa e eficiente ou até criação de centros de pesquisa e desenvolvimento local. O momento histórico de realocação dos valores permite repensar modelos urbanos, incorporando soluções tecnológicas que melhorem qualidade de vida e tornem serviços públicos mais eficientes e transparentes.
Entretanto, é preciso cautela quanto à capacidade de transformar receita em resultados concretos. Em experiências anteriores, diversos municípios beneficiados por royalties não conseguiram converter os recursos em melhorias consistentes em saneamento, saúde ou educação, muitas vezes por falhas de gestão ou falta de planejamento a longo prazo. Isso sugere que, para que a redistribuição renda frutos tangíveis, é necessário adotar uma governança transparente, com metas claras e uso inteligente dos recursos.
Se bem planejada, a aplicação dos royalties pode fomentar o desenvolvimento de ecossistemas tecnológicos locais. A destinação de parte dos recursos para capacitação técnica, formação de profissionais em STEM, incentivo a startups e empresas de tecnologia pode gerar novas frentes de emprego e inovação. Cidades beneficiadas podem atrair investimentos externos, empresas de tecnologia e centros de desenvolvimento, transformando antigos municípios fornecedores de recursos em polos tecnológicos emergentes.
Além disso, um foco em tecnologia e infraestrutura digital pode melhorar processos públicos e privados: sistemas de saúde e educação podem ser informatizados, a gestão pública modernizada, o transporte municipal otimizado com dados e sensores — e tudo isso com financiamento viabilizado por royalties redistribuídos. Esse tipo de transformação digital com base em recursos do petróleo pode representar um passo para longe da dependência apenas de renda de recursos naturais e em direção a uma economia diversificada e mais resiliente.
Por outro lado, em nível nacional, garantir que a renda do petróleo — que é finita e sujeita a flutuações — seja convertida em ativos duradouros e tecnológicos pode significar uma estratégia de preparação para o futuro. Utilizar esses recursos em projetos de inovação, infraestrutura e tecnologia representa uma aposta em desenvolvimento sustentável e duradouro.
Por fim, a convergência entre royalties do petróleo e tecnologia pode servir de modelo para outras regiões do Brasil que dependem de recursos naturais. A redistribuição de renda combinada a uma política de investimento inteligente em inovação pode transformar municípios historicamente marginalizados em centros de desenvolvimento — não apenas econômico, mas social e tecnológico. Se bem executado, esse novo acordo sobre royalties do petróleo pode marcar o início de uma transição rumo à modernidade para várias localidades brasileiras.
Autor: Trimmor Waterwish